Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma narrativa em primeira pessoa, cujo narrador é o defunto-autor, ou seja, é um morto que narra a história com total liberdade. Essa condição do narrador permite-lhe analisar com ironia o comportamento humano e avaliar com auto-ironia suas próprias atitudes. Livre e descompromissado com a sociedade, Brás Cubas revela e analisa não só os motivos secretos de seu próprio comportamento como também põe a nu as hipocrisias e vaidades das pessoas com quem conviveu. Ao longo da narração mostra vários episódios: sua paixão juvenil por Marcela, que amou durante quinze meses e onze contos de réis; sua amizade com o filósofo maluco Quincas Borba; os planos frustrados de seu pai em querer encaminhá-lo para a política; seus amores clandestinos com Virgília, esposa de seu amigo Lobo Neves. A ordem da narrativa não é linear, pois se desnvolve deacordo com os pensamentos de Brás Cubas. Suas reflexões apresentam-se carregadas de pessimismo e desencanto diante da vida, questiona os valores sociais e morais como máscaras para ocultar interesses egoístas.Irônico e provocador ele convoca o leitor a fazer seus próprios julgamentos sobre os fatos narrados. Brás Cubas expõe cínicamente os valores e comportamentos de seus familiares, de seus amigos e das mulheres com as quais se relacionou, traçando um quadro social e psicológico em linguagem bem humorada, em que a vaidade e a hipocrisia das relações humanas são uma constante. Julga a si prório como um perdedor, como alguém incapaz de grandes realizações, como emplasto que gostaria de ter descoberto para aliviar as dores da humanidade. O balanço final de Brás Cubas sobre a existência é de pessimismo, pois depois de uma vida que resulta em fatos negativos, em fracassos, ele afirma ter tido um pequeno saldo; que foi o de não possuir filhos e não ter transmitido a nenhuma criatura o legado da miséria.
domingo, 26 de setembro de 2010
Resenha do livro
Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma narrativa em primeira pessoa, cujo narrador é o defunto-autor, ou seja, é um morto que narra a história com total liberdade. Essa condição do narrador permite-lhe analisar com ironia o comportamento humano e avaliar com auto-ironia suas próprias atitudes. Livre e descompromissado com a sociedade, Brás Cubas revela e analisa não só os motivos secretos de seu próprio comportamento como também põe a nu as hipocrisias e vaidades das pessoas com quem conviveu. Ao longo da narração mostra vários episódios: sua paixão juvenil por Marcela, que amou durante quinze meses e onze contos de réis; sua amizade com o filósofo maluco Quincas Borba; os planos frustrados de seu pai em querer encaminhá-lo para a política; seus amores clandestinos com Virgília, esposa de seu amigo Lobo Neves. A ordem da narrativa não é linear, pois se desnvolve deacordo com os pensamentos de Brás Cubas. Suas reflexões apresentam-se carregadas de pessimismo e desencanto diante da vida, questiona os valores sociais e morais como máscaras para ocultar interesses egoístas.Irônico e provocador ele convoca o leitor a fazer seus próprios julgamentos sobre os fatos narrados. Brás Cubas expõe cínicamente os valores e comportamentos de seus familiares, de seus amigos e das mulheres com as quais se relacionou, traçando um quadro social e psicológico em linguagem bem humorada, em que a vaidade e a hipocrisia das relações humanas são uma constante. Julga a si prório como um perdedor, como alguém incapaz de grandes realizações, como emplasto que gostaria de ter descoberto para aliviar as dores da humanidade. O balanço final de Brás Cubas sobre a existência é de pessimismo, pois depois de uma vida que resulta em fatos negativos, em fracassos, ele afirma ter tido um pequeno saldo; que foi o de não possuir filhos e não ter transmitido a nenhuma criatura o legado da miséria.
Personagens
Virgília - filha do comendador Dutra, segundo o pai de Brás, Bento Cubas A “Ursa Maior” amante de Brás Cubas casa-se com Lobo Neves por interesse. Mulher bonita, ambiciosa, que parece gostar sinceramente de Brás Cubas, mas jamais se revela disposta a romper com sua posição social ou dispensar o conforto e o reconhecimento da sociedade.
Damião Lobo Neves - casado com Virgília, homem frio e calculista. Marido de Virgília, homem sério, integrado ao sistema, ambicioso, mas muito mais supersticioso, pois recusou nomeação pra presidente de uma província só porque a referida nomeação aconteceu num dia 13.
Quincas Borba - menino terrível que dava tombos no paciente professor Barata, colega de escola de Brás que o encontrará mais tarde mendigo que rouba-lhe um relógio mas retorna-o ao colega após receber uma herança. amigo de infância do protagonista. Desde criança era de um temperamento ativo, exaltado, querendo ser sempre superior nas brincadeiras. Cubas diz que ele é impressionante quando brinca de imperador. Quando adulto, passa pelo estado de mendigo, evoluindo depois para filósofo e desenvolve um sistema filosófico, denominado Humanitismo, que pretende superar e suprimir todos os demais sistemas até tornar-se uma religião.
Marcela – Grande paixão da juventude de Brás, uma prostituta de elite, cujo amor por Brás duraria quinze meses e onze contos de réis. Mulher sensual, mentirosa, amiga de rapazes e de dinheiro. Ganha muitas jóias do adolescente Brás Cubas. Contrai varíola e fica feia, com a pela grassa como uma lixa.
Sabina - irmã do narrador e que, como ele, valoriza mais o interesse pessoa e a posição social do que amizade ou laços de parentesco.
Cotrin - casado com Sabina, é interesse, traficante de escravos e cruel com eles, mandando-os castigar até correr sangue.
Eugênia - Filha de Eusébia e Vilaça, menina bela embora coxa. Era moça séria, tranqüila, dotada de olhos negros e olhar direito e franco. Tinha “idéias claras, maneiras chãs, certa graça natural, um ar de senhora, e não sei se alguma outra cousa; sim, a boca exatamente a boca da mãe".
Nhá Loló - moça simplória, tinha dotes de soprano - morre de febre amarela.
Tempo
Apesar de existir uma clara marcação temporal na narrativa , dando impressão que o tempo é cronológico (1805-1869), o romance cuida das memórias de um defunto autor. A narrativa principia pelo fim, ou seja, pela sua morte, depois retoma o curso normal, ou seja, nascimento, adolescência, maturidade e velhice. Assim, em todo o livro o tempo é psicológico.
Espaço
Não há uma preocupação do autor em descrever detalhadamente o espaços percorridos pela narrativa. A história passa-se no Rio de Janeiro. Nesta época a cidade era cercada de chácaras, abrigando além dos donos, numerosos escravos. O perfume dos jardins bem cuidados confundiam-se com o cheiro de mofo das salas enormes que só se abriam para as visitas e festas. As vozes dos negros alternavam-se com a dos brancos. Não faltavam os saraus , jantares de aniversário com a prataria a brilhar, compoteiras de cristal e muitos discursos de cansada retórica. A família Cubas morava na chácara do Catumbi. Filho de família rica e apegada às tradições, seu ambiente era o de elite escravocrata, autoritária e tradicionalista. Ambiente onde prevaleciam o ócio e o sadismo.
Em Memóricas Postumas de Brás Cubas o espaço aparece como uma projeção da personalidade do defunto-autor. A narrativa é feita após sua morte, de maneira que o espaço real perdeu a importância que tinha. Após ter testemunhado todos os séculos (passados e futuros), ele percebeu sua fragilidade e a transitoriedade do mundo . Um mundo que representa de maneira alegórica, fantástica para dar vida ao testemunho de sua vida burguesa e inútil.
Linguagem
Trechos do livro
“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.” Dedicatória
“Creiam-me, o menos mal é recordar; ninguém se fie da felicidade presente; há nela uma gota da baba de Caim.” Pág 07
- “Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar.” Pág 78
“Matamos o tempo, o tempo nos enterra.” Pág 115
“Trata de saborear a vida; e fica sabendo, que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la.” Pág 125
- “Não tive filhos não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” Pág 140
Biografia de Machado de Assis
http://www.youtube.com/watch?v=jbZy49mc5Ks
1839 (21 de julho) - Nasce Joaquim Maria Machado de Assis. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis. Perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta Maria Inês.
1851 - Morre seu pai. D. Maria Inês se emprega como doceira num colégio, e Machado de Assis, torna-se vendedor de doces.
1855 (12 de janeiro) - Publica seu primeiro trabalho:o poema "Ela" na revista Marmota Fluminense.
1856 - Consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional.
1859 - E ra revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil
1860 - A convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro.
1864 - Publica seu primeiro livro de poesias, sob o título de Crisálidas.
1881 -
1897 - foi eleito presidente da Academia Brasileira de Letras
1908 (29 de novembro) - Falece no Rio de Janeiro
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